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Mangueira de jardim: o esconderijo inesperado para cobras

Homem ajoelhado no jardim a retirar uma cobra enrolada numa mangueira verde.
Neste artigo
  1. Primavera no jardim: as cobras voltam à atividade
  2. Um íman subestimado: porque atrai cobras a mangueira de jardim
  3. Como tornar a mangueira de jardim mais segura
  4. Outros objetos do jardim que atraem cobras
  5. Como tornar todo o jardim menos atrativo para cobras
  6. Até que ponto são realmente perigosas as cobras no jardim?
  7. Porque é o calor tão importante para as cobras?

Muitos jardineiros amadores aguardam a primavera com entusiasmo, retiram as ferramentas do arrumo e dão início a uma nova época. O que poucos imaginam é que um utensílio banal, muitas vezes esquecido no chão do jardim, pode transformar-se numa autêntica armadilha com cobras. Com azar, alguém pode colocar a mão diretamente no esconderijo.

Primavera no jardim: as cobras voltam à atividade

Por volta de março, a maioria das cobras nativas sai do período de repouso de inverno. Embora ainda estejam pouco ativas, precisam de calor para acelerar o metabolismo. Procuram, por isso, locais abrigados onde a temperatura se mantenha, tanto quanto possível, entre cerca de 25 e 30 graus.

Muitas vezes, esses locais encontram-se no próprio jardim:

  • Sebes densas com folhas e ramos
  • Pilhas de lenha ou cepos antigos
  • Muros de pedra, fendas em muros e muros de pedra seca
  • Relva alta e cantos por cortar

As cobras são animais de temperatura variável: não regulam autonomamente a temperatura corporal e dependem do calor do ambiente. Por essa razão, procuram zonas que aqueçam bastante ao sol e que, ao mesmo tempo, ofereçam proteção contra predadores e pessoas curiosas.

Onde o calor se acumula e existe algum abrigo, aumenta a probabilidade de as cobras se instalarem.

Em vários países europeus, o número de mordeduras de cobra comunicadas tem aumentado ligeiramente ao longo dos anos. Entre as razões estão os períodos de calor mais prolongados e a diminuição dos habitats naturais. Como consequência, os jardins tornam-se mais atrativos para diversas espécies, incluindo algumas venenosas, como certas víboras.

Um íman subestimado: porque atrai cobras a mangueira de jardim

Para muitos, é surpreendente que uma mangueira de jardim aparentemente inofensiva possa tornar-se um esconderijo ideal para cobras. Isso acontece sobretudo quando fica pousada no chão e enrolada em espiral, sem estar apertada.

Há várias razões para esta atração:

  • Aquecimento rápido: as mangueiras de plástico ou borracha aquecem depressa ao sol.
  • Retenção de calor: o material conserva o calor acumulado durante muito tempo depois do pôr do sol.
  • Humidade: após a rega, costuma ficar água no interior da mangueira, contribuindo para um ambiente ligeiramente húmido.
  • Abrigo: entre as voltas forma-se um espaço escuro e protegido, mesmo junto ao solo.

Para uma cobra, a combinação cria um refúgio perfeito: quente, parcialmente oculto, próximo do chão e com pequenas passagens entre as voltas da mangueira. Se alguém lhe pegar mais tarde sem prestar atenção, pode assustar o animal e provocar uma reação defensiva.

Antes de levantar uma mangueira de jardim do chão, vale a pena verificar se já não está «habitada».

Quem tem crianças em casa deve ter cuidados redobrados. As crianças pegam muitas vezes nas mangueiras por impulso, brincam com elas ou gatinham para a zona onde estão pousadas. Uma cobra assustada procurará sobretudo fugir, mas pode morder se houver contacto inesperado.

Como tornar a mangueira de jardim mais segura

Algumas mudanças simples podem reduzir bastante o risco, sem ser necessário deixar de usar a mangueira.

A arrumação aumenta a segurança

  • Evite guardar a mangueira diretamente no chão e utilize antes um suporte de parede.
  • Recorra a um enrolador de mangueira, que permite mantê-la mais compacta e elevada.
  • Coloque-a à sombra, onde será menos atraente como fonte de calor.
  • Guarde-a depois da rega, em vez de a deixar entre os canteiros.

Se tiver mesmo de manter a mangueira no chão, verifique a zona com regularidade e conserve a relva curta à sua volta. Os esconderijos tornam-se assim menos apelativos, pois os animais sentem-se mais expostos.

Verifique antes de tocar

Uma observação rápida pode evitar muitos problemas:

  • Olhe à volta da mangueira: há «saliências» invulgares entre as voltas?
  • Levante-a devagar, sem puxões bruscos.
  • Em caso de dúvida, toque-lhe primeiro ao de leve com um pau, nunca com a mão.

Nas regiões onde as cobras são frequentes, convém adotar esta pequena rotina, sobretudo entre a primavera e o final do verão.

Outros objetos do jardim que atraem cobras

A mangueira de jardim não é o único objeto capaz de atrair cobras sem intenção. Outros elementos existentes no jardim também podem servir de abrigo confortável.

Coberturas e lonas escuras

Películas escuras, lonas de cobertura e faixas de proteção absorvem intensamente os raios solares. Debaixo delas forma-se muitas vezes um ambiente quente e húmido, ideal para insetos e pequenos animais que, por sua vez, atraem cobras.

Os materiais mais problemáticos incluem:

  • Telas escuras para controlo de ervas daninhas
  • Lonas pretas sobre lenha ou mobiliário de jardim
  • Lonas soltas pousadas diretamente no chão

Quem utiliza estes materiais deve mantê-los bem esticados ou guardá-los ligeiramente elevados, por exemplo sobre paletes ou suportes. Dessa forma, há menos espaços onde os animais se possam esconder.

Placas de metal e fibrocimento

As placas de metal ou fibrocimento acumuladas no jardim aquecem bastante, enquanto a face inferior oferece um local sombreado e protegido. Estas pilhas são particularmente apelativas para as cobras, pois costumam ser pouco movimentadas e permanecer sossegadas durante longos períodos.

Tudo o que fica pousado no chão e aquece ao sol pode transformar-se numa garagem para cobras.

É preferível colocar as placas na vertical ou encostá-las de lado a uma parede. Isso reduz consideravelmente a superfície disponível para esconderijos. Se já não forem necessárias, devem ser encaminhadas para eliminação sem demora.

Como tornar todo o jardim menos atrativo para cobras

Não é possível manter um jardim totalmente livre de cobras, mas é possível torná-lo muito menos apelativo.

  • Reduza os cantos desarrumados: desfaça ou organize grandes montes de madeira, pedras e objetos acumulados.
  • Mantenha a relva curta: sobretudo junto ao terraço, às zonas de brincadeira e aos caminhos.
  • Organize o composto: substitua os montes de compostagem abertos por um sistema organizado com um compostor.
  • Crie zonas de barreira: disponha gravilha ou relva curta em redor das áreas de estar e de brincadeira.

Estas medidas trazem ainda vantagens adicionais: o jardim parece mais cuidado, as pragas têm menos locais onde se esconder e o trabalho torna-se mais fácil.

Até que ponto são realmente perigosas as cobras no jardim?

Na maioria das situações, a presença de cobras no jardim é menos alarmante do que muitas pessoas pensam. A maior parte das espécies evita o contacto humano e afasta-se ao sentir vibrações ou passos. O perigo surge sobretudo quando alguém surpreende um animal, por exemplo ao colocar a mão debaixo de uma lona ou numa pilha de lenha.

Em caso de mordedura, deve:

  • Manter a calma e mover-se o menos possível.
  • Não sugar nem cortar a ferida.
  • Retirar joias e roupa apertada próximas do local da mordedura.
  • Procurar assistência médica o mais rapidamente possível.

Uma fotografia tirada a uma distância segura pode ajudar os médicos a avaliar de que espécie se trata. Não se deve, contudo, perseguir o animal nem tentar capturá-lo.

Porque é o calor tão importante para as cobras?

As cobras são répteis e, ao contrário dos mamíferos, não conseguem manter constante a temperatura corporal. Adaptam-se antes às condições do ambiente. Quando a temperatura é demasiado baixa, ficam lentas e incapazes de se mover; com calor excessivo, correm o risco de morrer.

É por isso que escolhem tantas vezes locais quentes e abrigados, como mangueiras aquecidas, placas de metal ou lonas. Nesses espaços atingem rapidamente a sua «zona de conforto» e podem caçar, digerir e reproduzir-se. Reduzir esses locais no jardim significa apenas retirar-lhes os esconderijos preferidos e cómodos, sem recorrer a intervenções radicais na natureza.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

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