Candidatura da Reserva da Biosfera do Minho Transfronteiriço
Está a avançar um projeto para candidatar o troço internacional do rio Minho a Reserva da Biosfera. Dezasseis municípios das margens portuguesa e galega do rio juntaram-se a entidades de ambos os lados da fronteira para obter a classificação da UNESCO. O arranque da missão para conquistar a Reserva da Biosfera do Minho Transfronteiriço foi assinalado na sexta-feira, numa sessão pública em Tui, Espanha.
“É um projeto para valorizar o rio, as pessoas e toda a comunidade, e que está financiado em cerca de um milhão de euros. Deu-se hoje o primeiro passo publicamente e é projeto para dois anos. E nós temos a convicção de que irá ter sucesso”, afirmou José Manuel Carpinteira, autarca de Valença e diretor do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, responsável pela liderança do grupo de trabalho.
De acordo com o responsável, o troço a apresentar na candidatura estende-se, do lado português, desde a foz, em Caminha, até Melgaço. Entre os benefícios da criação da reserva, destaca a possibilidade de “chamar a atenção para o rio que é um espaço natural de muita qualidade que merece ser preservado e valorizado”, além de sensibilizar e abrir caminho à captação de novos projetos em torno do rio.
Experiência de outras reservas da biosfera
A sessão em Tui permitiu apresentar a equipa e algum do trabalho preparatório da proposta de candidatura à UNESCO. Estiveram presentes representantes de várias reservas da biosfera de Portugal e Espanha, incluindo duas transfronteiriças: a Meseta Ibérica, declarada em 2015, que abrange 87 municípios, 12 dos quais portugueses, e a Gerês-Xurés, declarada em 2009, com um território de 270 mil hectares distribuído por 11 concelhos, seis galegos e cinco portugueses.
Jorge Dias, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), salientou que a Reserva da Biosfera Gerês-Xurés “é uma marca fortíssima”, que “cria oportunidades para o território” e que “acaba por ser um pólo catalisador de investimento”. Acrescentou: “Neste momento, temos 9 milhões de euros para investir na Reserva nos próximos 3 anos”. O responsável referiu ainda que “Portugal tem, atualmente, 15 reservas da Biosfera” e que existem “perto de 800 a nível mundial”. “Entra-se numa rede mundial fortíssima. É uma das grandes vantagens”, sublinhou.






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