Quem acompanha eclipses poderá ter direito a um espetáculo duplo na segunda-feira.
A 8 de abril, a Lua ocultará o Sol sobre uma parte significativa dos Estados Unidos, mergulhando cidades do Texas ao Maine em vários minutos de escuridão.
Mas haverá outro acontecimento astronómico emocionante a que valerá a pena estar atento.
O cometa do Diabo e o eclipse solar
Pela primeira vez em 71 anos, o cometa 12P/Pons-Brooks, também conhecido como «Mãe dos Dragões» ou «cometa do Diabo», está a aproximar-se relativamente do Sol. Não há motivo para preocupação: não vai colidir com a Terra.
Estima-se que este cometa, invulgarmente grande, tenha o tamanho do monte Evereste. A alcunha «cometa do Diabo» deve-se às suas erupções em forma de chifres na coma: a nuvem localizada de gás, poeira e partículas de gelo que envolve o núcleo sólido do cometa numa espécie de manto nebuloso.
Durante o eclipse solar total, quando a Lua tapar completamente o Sol, o céu ficará suficientemente escuro para que talvez seja possível avistar o cometa do Diabo a olho nu, ainda que com dificuldade. Em alternativa, podem usar-se binóculos ou um telescópio.
Como observar o eclipse solar em segurança
É importante lembrar que nunca é seguro olhar diretamente para o Sol durante um eclipse solar sem óculos próprios para eclipses ou um filtro solar adequado. A única exceção ocorre durante o breve período de totalidade, que durará alguns minutos. Nessa altura, o céu ficará suficientemente escuro para se tentar avistar o cometa do Diabo, desde que esteja suficientemente limpo.
Quando e onde ver o cometa do Diabo
Para encontrar o Pons-Brooks, comece por procurar o planeta Júpiter na direção do Sol eclipsado. Surgirá como um pequeno ponto luminoso, acima e à esquerda do Sol.
Depois de localizar Júpiter, olhe ligeiramente para cima e para a direita. O cometa estará entre Júpiter e o Sol, mas mais perto do planeta.
Nas fotografias de aproximação, o cometa surge como um rasto verde no céu, devido às elevadas quantidades de dicarbono que contém e que emitem luz verde.
No entanto, se for visível durante a totalidade de segunda-feira, deverá parecer uma pequena mancha cinzenta, afirmou Robert Massey, diretor executivo adjunto da Sociedade Real de Astronomia, no sítio da instituição.
Como será difícil detetá-lo, não deixe também de desfrutar dos breves momentos de totalidade. O tempo passará depressa e, além do cometa do Diabo, haverá muitos outros fenómenos espetaculares para observar durante o evento.
Que brilho terá o cometa do Diabo?
No momento do eclipse, ainda faltarão duas semanas para o cometa do Diabo atingir a menor distância ao Sol, altura em que deverá apresentar o seu maior brilho.
A 8 de abril, a sua magnitude aparente deverá rondar os 4.9, o que o colocará praticamente no limite daquilo que o olho humano consegue ver, afirmou Geronimo Villanueva, diretor associado para a ciência estratégica da Divisão de Exploração do Sistema Solar da NASA.
A visibilidade dos cometas é, contudo, difícil de prever. O seu brilho depende da forma como a luz solar interage com a coma. Como tanto a distância de um cometa ao Sol como a sua coma mudam continuamente ao longo da órbita, o brilho também varia.
Muitos cometas que se esperava serem deslumbrantes perderam o fulgor quando chegaram à Terra, enquanto outros proporcionaram um espetáculo surpreendentemente bom. Quanto ao cometa do Diabo, resta esperar para ver.
Uma vantagem do Pons-Brooks é ser criovulcânico, ou seja, tende a entrar em erupção com bastante frequência. Quando isso acontece, a nuvem de gelo e poeira que o rodeia expande-se, fazendo-o parecer mais brilhante. Uma erupção durante o eclipse solar total seria, por isso, um espetáculo extraordinário, caso ocorresse.
Se não conseguir ver o cometa a 8 de abril, volte a tentar nos dias anteriores a 21 de abril, quando estará mais próximo do Sol e mais brilhante.
À medida que os dias passarem, a sua trajetória no céu aproximá-lo-á de Júpiter, acabando por ultrapassá-lo e situar-se à esquerda do planeta até 17 de abril.
Este artigo foi originalmente publicado pela Business Insider.
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