A NASA recorre há décadas aos raios X para desvendar os segredos invisíveis do universo.
No final dos anos 1970, o Observatório Einstein abriu caminho à astronomia de raios X. Contudo, a grande joia desta área científica é o Observatório de Raios X Chandra, que está no espaço há 25 anos.
Seguem-se algumas das imagens mais impressionantes de Chandra e das suas descobertas revolucionárias sobre o universo invisível dos raios X.
O Observatório de Raios X Chandra da NASA tem registado o universo invisível há 25 anos. O telescópio espacial foi lançado a bordo do vaivém espacial Columbia, em 23 de julho de 1999, e constituiu a carga mais pesada alguma vez transportada por aquele vaivém.
“Durante os últimos 25 anos, as descobertas de Chandra têm-nos continuamente surpreendido e impressionado”, afirmou Eileen Collins, comandante da missão do Columbia, num comunicado de imprensa divulgado na segunda-feira.
Como o Observatório de Raios X Chandra revela o universo invisível
Os raios X não pertencem à gama de luz visível, mas assinalam frequentemente acontecimentos dramáticos no espaço.
Para os astrónomos, são particularmente importantes porque costumam ser emitidos por objetos extremamente quentes ou por eventos que libertam enormes quantidades de energia - como os detritos expelidos por uma estrela em explosão ou a matéria sobreaquecida que gira em torno de um buraco negro.
Com frequência, Chandra mostra pormenores novos que outros telescópios não conseguem observar.
Nesta imagem, que combina dados do Telescópio Espacial James Webb e de Chandra, as observações de Webb criam um retrato etéreo dos Pilares da Criação, uma formação de nuvens que está continuamente a dar origem a novas estrelas.
A contribuição de Chandra expõe um mar de estrelas jovens que brilham intensamente em raios X. São os pontos luminosos multicoloridos espalhados pela imagem.
Por exemplo, as manchas roxas brilhantes desta galáxia correspondem a objetos emissores de raios X identificados por Chandra.
“É frequente haver uma nuvem de gás brilhante e, depois, uma fonte de raios X no meio a injetar a energia que faz com que ela brilhe”, disse anteriormente ao Business Insider Jonathan McDowell, astrofísico que dirige os sistemas de dados científicos de Chandra.
“Sem Chandra, não se consegue ver isso. Portanto, perde-se uma grande parte da história”, acrescentou.
A visão de raios X de Chandra revelou que o universo está repleto de buracos negros.
Entre as outras conquistas marcantes de Chandra encontra-se a primeira prova direta da existência de matéria escura, uma substância totalmente invisível e misteriosa que representa cerca de 27% do universo.
Chandra foi também o primeiro a detetar diretamente estrelas de neutrões em colisão que enviavam pelo universo ondulações no espaço-tempo - chamadas ondas gravitacionais.
O observatório revelou ainda as emissões de raios X das luzes polares de Júpiter.
Na Terra, chamamos-lhes luzes do norte e do sul, ou aurora boreal e austral. São fitas de luz coloridas e ondulantes que por vezes surgem nos céus polares e, ocasionalmente, chegam a aparecer tão perto do equador como no Arizona.
A aurora é provocada por partículas carregadas provenientes do Sol, que produzem um efeito semelhante nos polos de outros planetas. Chandra observou esse fenómeno em Júpiter.
A imagem mostra também nuvens de emissão de raios X em redor do gigantesco planeta gasoso.
Descobertas de Chandra, de supernovas ao centro da Via Láctea
No total, Chandra realizou quase 25 000 observações.
Tem sido uma das missões de astrofísica mais produtivas da NASA: os cientistas já publicaram mais de 10 000 artigos revistos por pares com base nos seus dados.
Algumas das fotografias mais impressionantes resultam de colaborações com outros observatórios, como Webb.
A conjugação de esforços permitiu aos cientistas identificar a causa provável de uma estrutura misteriosa chamada “Monstro Verde”, no interior do remanescente de supernova aqui apresentado. Pode vê-lo ligeiramente à direita do centro, onde há um laço verde a interromper as nuvens azuis e vermelhas que se expandem pelo espaço.
Os dados de Chandra revelaram uma ligação entre o Monstro Verde e a onda de choque projetada pela estrela quando explodiu. Os investigadores consideram que a onda de choque criou o Monstro Verde ao embater no material que rodeava a estrela.
Chandra chegou até a apontar o olhar para o centro da nossa galáxia.
Em maio, astrónomos que utilizam Chandra descobriram uma abertura que liberta gás quente a partir do centro da Via Láctea. Acreditam que esta chaminé de gás em escape poderá resultar de erupções do buraco negro supermassivo central da galáxia.
Eis uma imagem do buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea.
Chandra revelou também que o buraco negro supermassivo da nossa galáxia, chamado Sagittarius A*, roda rapidamente.
De facto, Chandra descobriu que o buraco negro roda a uma velocidade tão elevada que comprime o espaço-tempo como uma bola de futebol americano.
Cortes orçamentais ameaçam a missão de Chandra
Chandra poderá estar a aproximar-se do fim da missão após cortes orçamentais drásticos.
O pedido de orçamento da NASA para 2025 reduziu o financiamento de Chandra de 68 milhões de dólares para 41 milhões de dólares. Depois disso, o orçamento propõe atribuir ao observatório 26,6 milhões de dólares por ano, até uma queda acentuada para 5,2 milhões de dólares em 2029.
A equipa de operações de Chandra afirmou que esse é precisamente o montante necessário para desativar o telescópio e terminar as suas operações.
Ainda assim, Chandra mantém-se plenamente operacional e continua a realizar descobertas visualmente impressionantes.
Ao estudarem as deteções de Chandra relativas às emissões de raios X de estrelas de neutrões - como a que se encontra no centro deste remanescente de supernova -, os cientistas descobriram recentemente que as estrelas de neutrões poderão conter um novo tipo de matéria ultradensa.
Nos anos que lhe restam, Chandra poderá revelar ainda mais segredos invisíveis do cosmos.
Este artigo foi originalmente publicado pelo Business Insider.
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