JN KIDS - Se pensamos que já conhecemos tudo sobre o planeta, estamos muito enganados. Em média, descobrem-se anualmente entre 15 e 18 mil espécies de animais e plantas.
Nos últimos dois meses, o mundo recebeu um novo felino e um antigo crocodilo. O primeiro, o Leopardus tilcayo, veio da Bolívia e foi observado pela primeira vez há cerca de uma década. Só agora, depois de um longo processo científico, se confirmou que é uma nova espécie de felino, uma descoberta que não acontecia há mais de um século. Já este mês foi anunciada uma nova espécie de crocodilo: o extinto Herugavialis cairensis foi encontrado nas rochas utilizadas na construção da Grande Esfinge de Gizé.
Como se identifica uma nova espécie?
Quando se suspeita que um ser vivo é novo para a ciência, é importante reunir todos os dados sobre o animal ou a planta e sobre o habitat onde vive. Também é necessário consultar especialistas nos grupos a que esses seres pertencem. Para confirmar se existe variação morfológica, são feitas análises da anatomia, mas também do ADN, do comportamento e de outras características.
Uma lista com três séculos
Quem faz a descoberta dá-lhe o nome, mas tem de seguir regras. Até há quase 300 anos, os seres vivos conhecidos recebiam nomes próprios em cada região e em cada língua, o que naturalmente causava confusão. Em 1735, o naturalista sueco Carl Lineu criou um sistema universal de classificação, igual para todos: a taxonomia. Cada organismo passou a ter um nome com duas partes, o género e a espécie. Esse nome, quer seja de um animal, de uma planta ou de uma bactéria, tinha e continua a ter de ser em latim ou latinizado. À palavra que corresponde à espécie acrescentam-se os sufixos -i, -ae ou -ii, podendo essa palavra ser uma homenagem, um lugar ou até o nome da pessoa que fez a descoberta. A certidão de nascimento só fica completa depois de validado um artigo científico.
2,17 milhões de espécies
Até ao ano passado, a União Internacional para a Conservação da Natureza contabilizava 2,17 milhões de espécies identificadas em todo o mundo. Os insetos formavam a maior categoria, com um milhão, seguindo-se as plantas, com 396 mil espécies, os cogumelos, com 157.648, e os aracnídeos, com 97.085 tipos descritos.
A título de curiosidade, são conhecidos 12.500 tipos de répteis, mais de 11 mil pássaros e quase nove mil anfíbios. Acredita-se que ainda falte descobrir o triplo dos seres vivos no mundo, já que as estimativas mais citadas apontam para 8,7 milhões de espécies no planeta.
Bichos famosos
O que terão em comum as cantoras Taylor Swift, Shakira e Beyoncé, os músicos Elton John, Freddy Mercury e Radiohead, o antigo presidente dos EUA Barack Obama e a ativista Greta Thunberg? Todos deram nome a novas espécies descobertas e, em alguns casos, a mais do que uma. A ativista sueca, de 23 anos, já tem cinco espécies com o seu nome, incluindo um sapo, um besouro e várias aranhas. O recordista é, claro, o naturalista e apresentador britânico David Attenborough. Segundo as contas de maio deste ano, tinha já mais de 50 espécies com o seu nome, desde o dinossauro Attenborosaurus a répteis, insetos, plantas e fungos.
“Nascidos” em Portugal
Hygrobates lusitanicus e Eluma cristata são os nomes de bichos descobertos em Portugal e apresentados ao mundo este ano. O primeiro, encontrado em janeiro no Norte do país, em Lousada, é um ácaro aquático capaz de monitorizar a qualidade ambiental dos rios. Em novembro, uma campanha no Parque Natural Marinho do Recife do Algarve - Pedra do Valado identificou 206 espécies de invertebrados, peixes, algas e aves marinhas. Destas, 12 eram novas para a ciência e não são conhecidas noutro local. Há cerca de um ano, em outubro de 2025, o habitat subterrâneo do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiro deu a conhecer um bicho-de-conta especial. Com quase um centímetro de comprimento, o Eluma cristata deve o nome às cristas visíveis nos diferentes segmentos da carapaça.






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