Portugal enfrenta um problema geográfico que as estradas, por si só, não conseguem resolver. As novas acessibilidades aproximaram os territórios, mas a população, o investimento e os serviços especializados continuaram concentrados numa faixa estreita do país. Criaram-se ligações sem garantir a capacidade necessária para converter a circulação em desenvolvimento.
Coesão territorial e organização policêntrica
A coesão territorial não se alcança apenas compensando o Interior pelos efeitos da distância ou da baixa densidade. É necessária uma organização policêntrica, baseada em cidades e territórios com funções próprias, instituições fortes e capacidade de cooperação entre si.
Um policentro não é uma versão mais pequena de uma capital regional, nem um centro que se desenvolve em prejuízo dos territórios vizinhos. É um espaço com capacidade para oferecer serviços diferenciados, captar pessoas e investimento e fazer chegar oportunidades a outras zonas. A sua força depende menos da dimensão do que daquilo que consegue criar e conectar.
Neste contexto, o conhecimento tem um papel determinante. Sem ensino superior, investigação, empresas, serviços qualificados e inovação, não existem verdadeiros policentros. As universidades qualificam pessoas, geram conhecimento, apoiam organizações e estabelecem ligações entre os territórios e as redes nacionais e internacionais.
A Guarda, a UPG e o conhecimento
A Guarda dispõe de condições particulares para assumir uma dessas funções. A A23, a A25 e o IP2 permitem-lhe estabelecer ligações entre o país, o Litoral, o Douro, a serra da Estrela e Espanha. Ainda assim, a localização geográfica não gera centralidade por si só. Uma cidade pode ser atravessada por grandes corredores e permanecer apenas um local de passagem. A centralidade nasce quando às acessibilidades se associam conhecimento, atividade económica e instituições capazes de colaborar em rede.
A Universidade Politécnica da Guarda - UPG constitui uma parte fundamental dessa capacidade já instalada. Desde 2020, participa em 71 projetos associados a cerca de 136 milhões de euros, gere diretamente cerca de 15,5 milhões e lidera seis projetos internacionais e 15 nacionais. Mesmo sendo de menor dimensão, uma instituição pode, deste modo, mobilizar recursos e parceiros muito para além da sua própria escala.
Cooperação transfronteiriça da UPG
A situação transfronteiriça alarga esta missão. A fronteira deve funcionar como espaço de cooperação na saúde, no envelhecimento saudável, na logística, na mobilidade, no património e na sustentabilidade. Os projetos com instituições espanholas e a participação da UPG na Universidade Europeia UNITA mostram que essa geografia já existe.
A UPG contribui já para o desenvolvimento do território e do país. A intenção de a transformar em universidade plena pretende fortalecer a capacidade científica, formativa e internacional da instituição, dando simultaneamente maior escala e projeção a esse contributo. Portugal terá maior coesão quando dispuser de vários centros fortes, distintos e complementares, que possam cooperar sem perder a sua identidade ou autonomia. E será mais competitivo quando reconhecer que o conhecimento produzido no Interior beneficia todo o país.
Não chega traçar corredores no mapa. Os territórios que esses corredores ligam precisam de instituições capazes de fixar talento e criar oportunidades.






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