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Vespa asiática: 29 mil ninhos detetados e 99% destruídos em 2025

Pessoa com roupa de proteção a apontar para um enorme ninho de vespa suspenso numa árvore, em área rural.

Em 2025, foram identificados 29 mil ninhos de vespas asiáticas, dos quais 99% acabaram destruídos. O período mais crítico inicia-se no verão e estende-se até ao outono. A espécie chegou já a áreas do Algarve, do Alentejo e dos Açores.

A vespa asiática foi já observada em todo o país e alcançou, pela primeira vez em 2025, o Baixo Alentejo e o Algarve. Até ao fim de julho, foram assinalados 5082 vespeiros em Portugal, com 99% a serem eliminados. Leiria e Braga foram os distritos com mais ninhos destruídos, ultrapassando os 900 em cada um. Nos últimos anos, a presença da vespa asiática tem gerado preocupação devido a casos recorrentes de mortes provocadas pela picada deste inseto. Ainda assim, os especialistas asseguram que a picada da vespa asiática é tão preocupante como a da vespa europeia.

Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no último ano foram registados em Portugal 29.445 ninhos de vespa velutina - também designada vespa asiática. Deste total, 28.027 vespeiros foram destruídos. Em 2024, os valores foram semelhantes: identificaram-se 28.599 ninhos e eliminaram-se 27.636. A espécie expandiu-se por todo o território nacional e, em 2025, foi detetada pela primeira vez no Baixo Alentejo, no Algarve e na ilha de São Miguel, na Região Autónoma dos Açores. Os dados do ICNF indicam que, no ano passado, foram destruídos 16 ninhos no distrito de Beja e seis no de Faro. Este ano, apenas até ao final de julho, o total de vespeiros eliminados subiu para 32 em Beja e 34 em Faro.

"Além dos esforços que se têm desenvolvido no controlo da espécie através da destruição dos ninhos por parte dos municípios, o Interior e Sul de Portugal continental são zonas particularmente secas durante os meses de primavera e de verão, que correspondem à altura de maior atividade da espécie, pelo que a escassez de água terá limitado a ocupação destas zonas do país", afirma o instituto.

Áreas não invadidas

Embora a vespa velutina tenha já sido avistada em todos os distritos de Portugal continental, Paulo Carmo, especialista do departamento de Conservação da Natureza e da Biodiversidade do ICNF, entende que persistem áreas do território nacional onde a espécie ainda não se instalou, em especial "no Interior e no Algarve". Há zonas onde continua ausente ou onde não está presente de forma permanente. Contudo, a chegada da vespa velutina a novas áreas do país é "tão preocupante quanto a sua presença em todas as áreas onde já ocorre".

"Não existindo ainda um método de controlo efetivo a 100%, era expectável a disseminação da espécie. Em França, o primeiro país europeu a ser invadido, a espécie levou 10 anos a ocupar todo o território, enquanto em Portugal, onde foi detetada em 2011 pela primeira vez, ainda existem áreas não invadidas, o que resulta, claramente, das medidas de controlo que têm sido aplicadas", sublinha o especialista.

Entre janeiro e o final de julho deste ano, foram eliminados 5036 dos 5082 ninhos detetados. Apesar de o número poder parecer relativamente reduzido quando comparado com os anos anteriores, o ICNF esclarece que o período mais crítico começou em meados de agosto. "Este é um fenómeno normal. O período de maior registo de ninhos ocorre sempre a partir do meio do verão, pois os ninhos secundários ou definitivos, com dimensões grandes e, por isso, mais facilmente detetáveis do que os ninhos primários, desenvolvem-se nesse período. Em muitos casos, os ninhos secundários apenas se tornam visíveis quando acontece a queda das folhas no outono, sendo registados mais tardiamente", frisa Paulo Carmo.

Leiria e Braga lideram o número de ocorrências: em Leiria, foram eliminados 926 vespeiros e, em Braga, 904. Seguem-se o concelho do Porto, com 766, Viseu, com 461, Lisboa, com 454, e Aveiro, com 400 ninhos destruídos durante os primeiros sete meses do ano.

O ICNF reconhece também que é "expectável" que o número de ninhos avistados ultrapasse o de ninhos destruídos, pois existem "ninhos que por qualquer razão não se conseguem destruir" e outros que "já se encontravam inativos".

Saber mais

STOPvespa

A plataforma STOPvespa ajuda a identificar e controlar a vespa asiática em Portugal continental, recorrendo à georreferenciação online de avistamentos e de ninhos desta espécie exótica invasora.

Ninhos

Os ninhos embrionários da vespa asiática têm o aspeto de pequenas esferas, com um diâmetro entre 5 e 10 centímetros. Os ninhos secundários medem cerca de 60 centímetros.

Neste momento

Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

Perguntas frequentes

A picada da vespa velutina é fatal?

A picada da vespa velutina, ou vespa asiática, apresenta um perigo equivalente ao de qualquer outro tipo de vespa. A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica refere que as picadas de himenópteros, como vespas e abelhas, são uma causa relevante de anafilaxia nos adultos e podem, em determinadas situações, desencadear reações fatais. A idade mais avançada, o sexo masculino, a doença cardiovascular e a mastocitose estão entre os fatores associados a um risco acrescido de reações graves.

A reação a uma picada é sempre igual?

Uma reação grave, ou até fatal, pode constituir a primeira manifestação de alergia ao veneno de vespas e abelhas. O facto de uma picada anterior ter sido bem tolerada, ou de apenas ter causado uma reação ligeira, não exclui a hipótese de ocorrer uma reação grave numa exposição posterior.

Como se deve agir perante estas situações?

Quando há suspeita de anafilaxia, a adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha, sendo essencial administrá-la precocemente. A sociedade explica que quem tenha tido uma reação sistémica após uma picada deve ser encaminhado para imunoalergologia, para diagnóstico e decisão sobre a necessidade de autoinjetor de adrenalina e, quando indicado, de imunoterapia específica com veneno.

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