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Poda da figueira no final do inverno: o cuidado para mais figos

Homem a podar uma figueira em vaso num jardim, com várias figas no tronco e mesa de madeira.
Neste artigo
  1. Porque é que a poda determina a quantidade de figos
  2. A base ideal: bastam 4 a 6 ramos estruturais fortes
  3. O passo frequentemente esquecido junto à base do tronco
  4. Um pequeno truque com grande efeito: gomos virados para fora
  5. Luz, calor e solo: mesmo a melhor poda precisa do local certo
  6. Nutrição adequada: mais potássio e fósforo, menos folhas
  7. Variedades diferentes exigem estratégias diferentes
  8. Conselhos práticos: como podar no final do inverno
  9. Riscos e erros frequentes na poda da figueira
  10. Trabalhos relacionados: o que combinar com a poda de inverno

Uma figueira vigorosa, coberta de folhas, mas quase sem figos: é uma imagem cada vez mais comum nos jardins. Enquanto a árvore do vizinho parece prestes a ceder sob o peso dos frutos maduros, a nossa continua a dar uma colheita dececionante. A boa notícia é que, em muitos casos, a causa não está na variedade nem no clima, mas num cuidado muito específico a ter no final do inverno.

Porque é que a poda determina a quantidade de figos

Sem uma poda de formação, a figueira cresce de forma desordenada. A copa torna-se cerrada, os ramos cruzam-se e alguns voltam a crescer para o centro. Forma-se assim uma zona escura e húmida, com pouca circulação de ar. As doenças fúngicas encontram condições favoráveis e os gomos florais e de fruto desenvolvem-se mal.

Se a este problema se juntar outro erro, uma poda demasiado severa, a colheita fica comprometida. Ao cortar no ano errado ou em excesso, é fácil retirar precisamente os rebentos onde deveriam nascer os figos. A árvore pode continuar a parecer saudável, mas dará poucos frutos.

O melhor momento para intervir é no final do inverno, geralmente entre fevereiro e março, quando já não se esperam geadas fortes e os gomos estão prestes a rebentar. Nesta altura, é possível orientar a energia da árvore para as zonas realmente produtivas, sem a enfraquecer demasiado.

«Para encher uma taça de figos, o essencial é formar uma copa arejada, com poucos ramos estruturais bem definidos, e fazer uma poda de inverno criteriosa.»

A base ideal: bastam 4 a 6 ramos estruturais fortes

Em vez de uma «vassoura» densa, a figueira precisa de uma estrutura definida. Os especialistas aconselham quatro a seis ramos estruturais de suporte, distribuídos à volta do tronco como os raios de uma roda. Estes devem:

  • Ter um aspeto vigoroso e saudável;
  • Estar distribuídos de forma equilibrada em redor do tronco;
  • Crescer do centro para o exterior;
  • Não apresentar fendas nem sinais de fungos.

Em conjunto, os ramos formam uma espécie de taça ou cálice. No centro fica uma «janela de luz» aberta, que permite ao sol e ao ar chegar ao interior da copa. Isso reduz a humidade, ajuda a prevenir fungos e favorece a maturação dos gomos de fruto.

Tudo o que perturbe esta estrutura deve ser removido: ramos mortos, ramos cruzados e rebentos que cresçam para dentro ou rocem uns nos outros. O corte deve ser feito o mais perto possível da base, sem deixar tocos onde possa surgir podridão.

O passo frequentemente esquecido junto à base do tronco

Muitos jardineiros tratam da copa, mas esquecem a base do tronco. Nessa zona podem surgir «ladrões» ou «rebentos» provenientes das raízes e da parte inferior do tronco. Estes crescimentos consomem grandes quantidades de água e nutrientes, mas, na maioria dos casos, frutificam tarde ou não dão fruto.

Se forem deixados na árvore, competem com a copa. O resultado é ainda mais folhas e menos frutos. Por isso, no final do inverno, importa seguir uma regra:

«Retire rapidamente todos os rebentos que nasçam na zona das raízes ou perto do tronco: quanto mais cedo no ano o fizer, melhor para a formação de frutos no alto da copa.»

Nos ramos estruturais escolhidos, encurtam-se depois os rebentos de prolongamento em cerca de um terço. Esta poda desperta gomos dormentes situados mais abaixo e estimula a ramificação junto à copa. É precisamente nessa zona que mais tarde se desenvolve a maior parte dos figos.

Um pequeno truque com grande efeito: gomos virados para fora

Cortar ao acaso pode deitar a perder, logo no ano seguinte, o trabalho cuidadoso feito na copa. O local do corte determina diretamente a direção em que crescerá o rebento seguinte.

Coloque a tesoura imediatamente acima de um gomo voltado para o exterior. Na primavera, desse gomo nascerá um novo rebento que também crescerá para fora, em vez de voltar a preencher o interior da copa.

«Corte sempre acima de um gomo virado para fora: assim, o interior da árvore mantém-se iluminado e seco, enquanto os ramos de fruto se orientam para o exterior.»

Ao manter esta prática durante vários anos, forma-se naturalmente uma copa larga, aberta e em forma de taça. A árvore dá frutos em abundância, sem necessidade de recorrer a fungicidas ou a sistemas de suporte complicados.

Luz, calor e solo: mesmo a melhor poda precisa do local certo

A poda de inverno é apenas uma parte da solução. Para produzir uma quantidade significativa de frutos, a figueira necessita também de determinadas condições:

Fator Necessidade da figueira
Luz Pelo menos 6 horas de sol direto por dia
Vento Local abrigado, idealmente junto a uma parede da casa virada a sul ou sudoeste
Solo Leve, bem drenado e sem encharcamento
pH Ligeiramente ácido a próximo do neutro, cerca de 6 a 6,5
Zona das raízes Camada de cobertura do solo de 5 a 20 cm, para proteção e retenção de humidade

Uma camada espessa de folhas, material vegetal triturado ou palha mantém a humidade do solo mais uniforme e protege as raízes tanto da geada como do calor do verão. Em solos muito pesados, vale a pena misturar areia ou brita fina para que a água escoe mais depressa.

Nutrição adequada: mais potássio e fósforo, menos folhas

A figueira reage de forma acentuada aos nutrientes disponíveis. O excesso de azoto produz folhas enormes e rebentos compridos, mas uma colheita escassa. Quem «mima» a árvore todos os anos com muito adubo para relvados ou estrume fresco acaba, sem querer, por dificultar a frutificação.

É mais vantajoso fornecer potássio e fósforo, juntamente com composto maduro. Esta combinação favorece a formação de flores e frutos, fortalece a madeira e ajuda os figos a amadurecer.

  • Azoto: em quantidade moderada, de preferência através de composto bem decomposto;
  • Potássio: favorece a qualidade dos frutos e a resistência ao frio do inverno;
  • Fósforo: apoia a formação de flores e frutos;
  • Composto: fornece oligoelementos e melhora a estrutura do solo.

Normalmente, basta aplicar adubos orgânicos no início da primavera, incorporá-los ligeiramente na camada superficial do solo e colocar depois uma cobertura. No caso das figueiras em vaso, convém também aplicar adubo líquido regularmente, mas com moderação.

Variedades diferentes exigem estratégias diferentes

Em regiões mais frias, como o norte e o centro da Alemanha, a escolha da variedade tem um papel decisivo. Em termos gerais, distinguem-se dois tipos de figueira:

Figueiras com uma colheita

Algumas variedades produzem apenas uma colheita principal no final do verão. São consideradas mais fiáveis em regiões sujeitas a geadas tardias, pois têm menos frutos em formação precoces que possam ser afetados pelo frio. Nestes casos, a poda de inverno centra-se sobretudo na formação de uma copa estável e na preservação de rebentos vigorosos do ano anterior.

Figueiras com duas colheitas

Outras variedades dão os primeiros figos no início do verão e voltam a produzir no final da estação. Os frutos precoces desenvolvem-se muitas vezes em rebentos do ano anterior e são particularmente vulneráveis às geadas em locais frios. Quem vive no norte deve proteger bem estas variedades ou podá-las com muito cuidado, para não perder por completo os rebentos com gomos de fruto precoces.

Há ainda uma particularidade biológica: algumas variedades mediterrânicas precisam de uma determinada vespa-do-figo para a fecundação. Sem esse inseto, formam-se poucos frutos, por mais bem podada e adubada que a árvore esteja. Por isso, para jardins domésticos nos países de língua alemã, são particularmente adequadas as variedades autoférteis, que produzem frutos sem polinizador.

Conselhos práticos: como podar no final do inverno

Quem tiver dúvidas pode seguir esta sequência simples:

  1. Observe a copa do exterior: identifique os ramos que definem a estrutura e os que a perturbam.
  2. Escolha quatro a seis ramos estruturais vigorosos e retire os restantes rebentos concorrentes.
  3. Corte os ramos mortos, doentes, virados para dentro ou cruzados.
  4. Elimine por completo os ladrões na base do tronco e os que nascem das raízes.
  5. Encurte cerca de um terço dos rebentos de prolongamento dos ramos estruturais, fazendo o corte imediatamente acima de um gomo voltado para fora.
  6. Nos ramos mais grossos, faça cortes limpos e lisos e apare as margens que ficarem irregulares.

Este procedimento dá estrutura à árvore, fortalece os ramos de fruto e cria as bases para uma copa estável e produtiva durante muito tempo.

Riscos e erros frequentes na poda da figueira

A intervenção não está isenta de riscos. Entre os problemas habituais contam-se:

  • Podar durante períodos de geada forte, pois as feridas recentes podem sofrer danos devido ao frio;
  • Fazer uma poda radical até à madeira velha, perdendo por completo os gomos de fruto;
  • Deixar a copa sem uma forma definida, com demasiados ramos estruturais a competir e a torná-la novamente densa;
  • Encurtar continuamente todos os rebentos jovens no verão, retirando reservas à árvore.

Quem está a começar deve, por isso, trabalhar por etapas, em vez de tentar corrigir tudo num só ano. As figueiras toleram muitos erros, mas a colheita costuma refletir os cuidados com um atraso de um a dois anos. Vale a pena ter paciência.

Trabalhos relacionados: o que combinar com a poda de inverno

O final do inverno não serve apenas para podar a figueira. Na mesma altura, pode melhorar-se a zona em redor da árvore: retirar ervas daninhas, soltar o solo, renovar a cobertura e, se necessário, preparar uma forma de rega para os verões secos. Quem ainda não tiver um tubo de rega ou uma linha de rega gota a gota pode instalá-los agora sem perturbar as raízes.

Se a figueira estiver num vaso grande, aproveite para o inspecionar. Caso as raízes já estejam a crescer em círculo, mude a planta de vaso no início da primavera e reduza ligeiramente o torrão. Em conjunto com a poda da copa, esta medida ajuda a manter a planta equilibrada e evita que produza muitas folhas e poucos frutos.

Desta forma, uma figueira frustrante, cheia de folhas, pode transformar-se gradualmente numa fonte fiável de frutos aromáticos, tendo como ponto-chave uma intervenção cuidadosa no final do inverno.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

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