Com o propósito de melhorar e alargar a robotização das suas Forças Terrestres através da utilização de drones UGV, o Ministério da Defesa da Ucrânia anunciou em comunicado que os seus drones terrestres já realizaram mais de 100.000 missões desde o início de 2026. Os complexos robóticos terrestres afirmaram-se em funções de logística, evacuação e apoio operacional, ao mesmo tempo que o Ministério da Defesa continua a aumentar a sua integração nas Forças de Defesa.
Todas as operações levadas a cabo pelos complexos robóticos terrestres foram registadas no sistema de combate DELTA. De acordo com o ministro da Defesa ucraniano, Yevhen Khmara, a adoção destas tecnologias visa diminuir os riscos para os militares e passar numerosas tarefas para plataformas não tripuladas nas zonas mais expostas da frente.
Mais de 100.000 missões logísticas e de evacuação com drones UGV
Desde janeiro, o número de missões realizadas pelos drones UGV tem aumentado de forma contínua em cada mês de 2026. Em janeiro foram registadas 7.511 operações, seguindo-se 7.960 em fevereiro e 9.072 em março. Abril terminou com 11.028 missões executadas por estes sistemas terrestres.
Nos meses seguintes, maio contabilizou 14.059 missões e junho elevou o total mensal para 16.664 operações. Julho registou o valor mensal mais elevado, com 19.969 missões. Já entre 1 e 20 de agosto, os veículos terrestres não tripulados tinham concluído mais 15.729 operações, ultrapassando largamente as 100.000 missões acumuladas.
Estas plataformas levam munições, alimentos e água até posições avançadas onde a circulação de veículos convencionais apresenta maiores perigos. Participam igualmente na evacuação de soldados feridos e de militares mortos, permitindo realizar numerosas operações logísticas sem expor diretamente as equipas encarregadas do abastecimento.
Os operadores passam a constituir uma nova especialidade militar
O crescimento dos complexos robóticos terrestres também levou à criação de uma especialidade própria nas Forças de Defesa da Ucrânia. Os operadores destes sistemas integram a especialidade militar VOS 129 e controlam plataformas terrestres de lagartas ou rodas, destinadas a missões de logística, evacuação e apoio ao combate.
Entre as suas funções estão a condução da saída e do regresso dos veículos, a supervisão do respetivo funcionamento e a garantia da manutenção técnica de cada plataforma. A partir de postos protegidos, acompanham ainda permanentemente os sistemas de navegação, comunicações e transmissão de dados, assegurando a continuidade das operações em tempo real.
O posto de controlo reúne estações terrestres, comandos à distância, computadores portáteis protegidos e tablets com sistemas de navegação integrados. Para manter comunicações estáveis durante as missões na frente, as equipas utilizam também baterias, estações de carregamento, geradores portáteis, rádios, antenas, repetidores e meios de guerra eletrónica.
Plataformas terrestres com capacidades cada vez maiores
Os complexos robóticos terrestres passaram de simples veículos de transporte a plataformas com capacidades muito mais vastas. Existem atualmente versões equipadas com cápsulas blindadas, ligações de comunicação protegidas e câmaras diurnas e noturnas, além de sistemas destinados ao combate, à logística, à colocação remota de minas e à evacuação.
As variantes pesadas conseguem transportar cargas até 500 quilogramas e percorrer dezenas de quilómetros em terrenos sem estradas preparadas. O Ministério da Defesa indicou igualmente que continuam a surgir novas utilizações operacionais para estas plataformas. Entre elas contam-se casos documentados de soldados russos que se renderam perante veículos terrestres não tripulados em operações conduzidas por unidades ucranianas.
Para aumentar a disponibilidade destes sistemas, a Ucrânia reforçou significativamente as suas aquisições durante 2026. Até ao momento foram contratadas mais de 22.000 unidades, quase o dobro do total de todo o ano anterior. Paralelamente, os militares fizeram encomendas de aproximadamente 1,9 mil milhões de hryvnias através da plataforma Brave1 Market, no âmbito do programa e-Baly.
A robotização estende-se também aos drones aéreos
Na Ucrânia, o desenvolvimento de sistemas não tripulados vai além dos veículos terrestres. O Ministério da Defesa homologou recentemente o Dovbush T40, um veículo aéreo não tripulado concebido para missões de reconhecimento profundo e ataques contra pessoal e infraestruturas, reforçando as capacidades das frotas de drones utilizadas pelas Forças de Defesa.
Segundo informações oficiais, o Dovbush T40 tem uma autonomia superior a 24 horas e um alcance superior a 2.000 quilómetros. O seu projeto procura também reduzir a deteção por radares. O aparelho dispõe de um motor de injeção eletrónica e de uma estrutura com cinco metros de envergadura, capaz de transportar armamento externo conforme a configuração escolhida.
A este sistema junta-se o Alexa Spatium, o primeiro intercetor de drones a jato desenvolvido na Ucrânia e recentemente integrado no arsenal nacional. A aeronave não tripulada foi concebida para destruir alvos aéreos, terrestres e navais de pequenas dimensões, com especial atenção aos drones russos utilizados em ataques contra o território ucraniano.
O Alexa Spatium recorre a um motor turbojato e pode operar contra drones Geran-3, Geran-4, Geran-5 e Shahed-131, bem como contra helicópteros, aeronaves de reconhecimento e outros alvos individuais. Nos testes, confirmou as capacidades declaradas pelo fabricante, entre as quais elevada manobrabilidade, sensores de televisão e infravermelhos e diferentes modos de guiagem por coordenadas preestabelecidas ou controlo direto.






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