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Glaciar Thwaites: cortinas subaquáticas de 50 mil milhões de dólares contra o degelo

Mergulhador com fato laranja toca em plástico transparente no oceano, acompanhado por drone subaquático iluminado.
Neste artigo
  1. Cortinas subaquáticas para travar o degelo dos glaciares
  2. Uma ideia de 50 mil milhões de dólares
  3. Uma corrida contra o tempo

Uma subida do nível do mar de pouco mais de meio metro pode não parecer muito. No entanto, se o nível médio dos oceanos aumentasse 0,6 metros em todo o mundo, as consequências para as comunidades costeiras seriam catastróficas.

Cidades como Nova Iorque, Miami e Nova Orleães sofreriam inundações devastadoras. À escala mundial, 97 milhões de pessoas ficariam expostas ao avanço acelerado das águas, colocando em perigo as suas casas, comunidades e meios de subsistência.

Este seria o cenário caso o glaciar Thwaites, conhecido pela alcunha de «glaciar do juízo final», colapsasse. E as consequências não terminariam aí.

Actualmente, esta enorme plataforma de gelo antárctica impede que as águas marinhas mais quentes cheguem a outros glaciares. Um colapso do Thwaites desencadearia uma reacção em cadeia de degelo capaz de elevar o nível do mar mais três metros.

O degelo do Thwaites já é responsável por 4 por cento da subida global do nível do mar. Desde 2000, perdeu mais de 1 000 mil milhões de toneladas de gelo. Contudo, está longe de ser o único glaciar em risco, e o tempo para os salvar está a esgotar-se.

É por isso que especialistas em geoengenharia estão a desenvolver tecnologias que poderão abrandar o degelo dos glaciares.

A estratégia mais recente recorre a cortinas. Sim, cortinas subaquáticas. John Moore, glaciólogo e investigador de geoengenharia da Universidade da Lapónia, pretende instalar gigantescas cortinas subaquáticas com 100 quilómetros de comprimento para impedir que a água do mar quente alcance e derreta os glaciares.

Mas, para concretizar o projecto, precisa de 50 mil milhões de dólares.

Cortinas subaquáticas para travar o degelo dos glaciares

Um dos principais factores do degelo glaciar é a circulação de água do mar quente e salgada nas profundezas do oceano. Por exemplo, estas correntes quentes embatem nas laterais do Thwaites e derretem o gelo espesso que impede o colapso da extremidade da plataforma.

À medida que os oceanos aquecem devido às alterações climáticas, estas correntes invasoras irão corroer cada vez mais o Thwaites, aproximando-o de um colapso total.

Moore e os seus colegas procuram determinar se conseguiriam fixar cortinas no fundo do mar de Amundsen para desacelerar o degelo.

Em teoria, estas cortinas bloqueariam a chegada de correntes quentes ao Thwaites, interrompendo o degelo e dando tempo à plataforma de gelo para voltar a ganhar espessura.

Não é a primeira vez que Moore propõe uma solução de bloqueio. A ideia das cortinas parte de uma proposta semelhante que apresentou em 2018: usar uma enorme parede para bloquear a água quente.

Contudo, segundo Moore, as cortinas constituem uma alternativa muito mais segura.

Explicou que são igualmente eficazes a travar as correntes quentes, mas muito mais fáceis de remover caso seja necessário.

Por exemplo, se as cortinas tivessem um impacto inesperado no ambiente local, poderiam ser retiradas e redesenhadas.

«Qualquer intervenção deve ser algo que possa ser revertido se se mudar de ideias», afirmou Moore.

Embora Moore e os seus colegas ainda estejam a décadas de aplicar esta tecnologia para salvar o Thwaites, encontram-se a testar protótipos de menor escala.

Uma ideia de 50 mil milhões de dólares

Os colegas de Moore na Universidade de Cambridge já estão nas fases muito iniciais de desenvolvimento e ensaio de um protótipo e, de acordo com o investigador, poderão avançar para a etapa seguinte já no verão de 2025.

Neste momento, investigadores da Universidade de Cambridge testam em tanques uma versão desta tecnologia com cerca de um metro de comprimento. Depois de comprovarem que funciona, passarão aos ensaios no rio Cam, instalando-a no leito do rio ou rebocando-a atrás de uma embarcação, disse Moore.

A intenção é aumentar progressivamente a escala dos protótipos até haver provas de que a tecnologia é suficientemente estável para ser instalada na Antárctida, explicou Moore.

Se tudo correr bem, dentro de cerca de dois anos poderão testar, num fiorde norueguês, um conjunto de protótipos de cortinas com 10 metros de comprimento.

«Queremos saber: o que poderá correr mal? E, se não houver solução para isso, no fim temos simplesmente de desistir», disse Moore. «Mas há também muitos incentivos para tentar fazê-lo funcionar.»

O aumento de escala exige mais financiamento. As experiências deste ano deverão custar cerca de 10 000 dólares. Porém, para chegarem ao ponto de poder implementar a tecnologia com confiança, Moore e os seus colegas necessitarão de cerca de 10 milhões de dólares.

E seriam precisos mais 50 mil milhões de dólares para instalar efectivamente as cortinas no mar de Amundsen.

«Parece uma quantia enorme», disse Moore. «Mas compare-se o risco com o risco: prevê-se que o custo da protecção contra a subida do nível do mar em todo o mundo, apenas em defesas costeiras, seja de cerca de 50 mil milhões de dólares por ano, por cada metro de subida do nível do mar.»

Embora algumas cidades costeiras, como Nova Iorque, tenham orçamento para se adaptarem à subida das águas, outras nem sequer estarão perto de o conseguir.

«Uma das grandes motivações para nós é esta questão da justiça social - é uma forma muito mais equitativa de lidar com a subida do nível do mar do que limitar-nos a dizer: “Devemos gastar este dinheiro na adaptação”», afirmou Moore.

Uma corrida contra o tempo

Os dados indicam que o glaciar Thwaites, tal como outros semelhantes, está a derreter a um ritmo sem precedentes devido às alterações climáticas. Porém, entre os glaciólogos continua a haver debate sobre quando poderá ocorrer o colapso.

«Não sabemos realmente se [o Thwaites] pode colapsar amanhã, daqui a 10 anos ou daqui a 50 anos», disse Moore, acrescentando: «Precisamos de recolher dados melhores.»

Mas a recolha de dados mais rigorosos exigirá um tempo que estes glaciares talvez não tenham.

Defensores da geoengenharia glaciar, como Moore, consideram que o momento de intervir é agora. Outros especialistas discordam e defendem que reduzir as emissões de carbono é a única forma viável de abrandar o degelo dos glaciares.

Apesar de a redução das emissões ser essencial para atenuar os efeitos das alterações climáticas, Moore não está convencido de que sejam reduzidas de forma suficientemente drástica ou rápida para salvar o Thwaites. Quando atingir um ponto crítico, «o glaciar deixa de se preocupar com o que os humanos querem fazer em relação às suas emissões», disse.

«É nesse momento que são necessárias estas outras ferramentas.»

Este artigo foi originalmente publicado pela Business Insider.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

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