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Libertação de 30 tetrazes cantábricos deixa apenas uma sobrevivente

Pavão-do-mato com sensor na pata e mulher a estudar mapas e dados num ambiente florestal.
Neste artigo
  1. O que sucedeu às aves libertadas?
  2. Porque morreram 29 aves tão depressa?
  3. Porque é tão difícil recuperar o tetraz cantábrico?
  4. O investimento foi desperdiçado?
  5. Uma lição dispendiosa sobre a reintrodução de espécies ameaçadas

A libertação de 30 tetrazes cantábricos criados em cativeiro, em Espanha, teve um desfecho severo para a conservação: ao fim de seis meses de monitorização, apenas uma fêmea permanecia viva. O projecto, desenvolvido na zona do Alto Sil, em León, evidenciou a dificuldade de devolver à natureza aves ameaçadas, obrigadas a lidar com predadores, um território desconhecido e a procura autónoma de alimento.

O que sucedeu às aves libertadas?

Criados no Centro de Criação de Valsemana, os tetrazes foram transportados para o Alto Sil no outono de 2025, no âmbito de uma experiência-piloto destinada a reforçar a população. O local seleccionado integra uma Zona de Especial Protecção para as Aves, considerada relevante para tentar recuperar a espécie.

O objectivo consistia em perceber de que forma animais nascidos sob cuidados humanos se ajustariam ao meio selvagem antes de avançar para libertações de maior escala. Contudo, a monitorização por radiomarcação revelou uma mortalidade extremamente elevada nos primeiros meses.

Porque morreram 29 aves tão depressa?

A predação foi identificada como a causa principal. Raposas, aves de rapina e outros predadores naturais encontraram aves acabadas de libertar que, ainda em adaptação, tinham menos capacidade para fugir, ocultar-se e reconhecer os perigos do território.

  • As aves nascidas em cativeiro não contactam com predadores durante o crescimento.
  • O ambiente montanhoso obriga a deslocações, à procura de abrigo e à identificação rápida de ameaças.
  • A libertação em zonas abertas agrava a exposição nos dias iniciais.
  • A procura de alimento natural disputa atenção com a necessidade de se manterem protegidas.

Porque é tão difícil recuperar o tetraz cantábrico?

O tetraz cantábrico é uma subespécie associada às montanhas da Cordilheira Cantábrica. Há décadas que a sua população é afectada pela perda de habitat, pela fragmentação das zonas florestais, por alterações no uso do território, pela baixa reprodução e pela pressão de predadores sobre núcleos já muito pequenos.

Numa população reduzida, cada perda tem maior impacto. Todas as fêmeas adultas são importantes para a reprodução, e cada libertação sem sucesso demonstra que criar aves em cativeiro não é suficiente se a área de libertação continuar a apresentar riscos sem controlo.

O investimento foi desperdiçado?

O resultado pode parecer um insucesso quando se considera apenas o número de sobreviventes. Ainda assim, na conservação, uma experiência-piloto permite igualmente detectar falhas, quantificar riscos e adaptar protocolos antes de colocar mais indivíduos no terreno.

  • A monitorização mostrou em que momentos ocorreram as mortes.
  • Os dados permitem localizar os pontos mais perigosos do processo de libertação.
  • A equipa poderá reconsiderar a aclimatação, a selecção das áreas e a protecção inicial.
  • O caso sublinha que o habitat e a gestão das ameaças têm de avançar em conjunto.

Uma lição dispendiosa sobre a reintrodução de espécies ameaçadas

O caso dos tetrazes demonstra que libertar animais não equivale a recuperar uma população. Para sobreviverem, as aves criadas em cativeiro necessitam de encontrar floresta apropriada, alimento, refúgio, reduzida pressão humana e uma fase inicial menos exposta a predadores.

A única sobrevivente converte o projecto num aviso. A conservação do tetraz cantábrico exige mais do que financiamento: requer uma leitura rigorosa do território, protecção do habitat, adaptação gradual e decisões sustentadas pelos dados concretos deixados por esta primeira libertação.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

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