Saltar para o conteúdo

Tábua de madeira contra lesmas: um método simples para a horta

Pessoa com luvas a manipular minhocas em jardim com alfaces e regador verde.
Neste artigo
  1. Porque é que a madeira atrai tanto as lesmas
  2. Que madeira escolher e qual evitar
  3. Passo a passo: como usar a armadilha de madeira contra lesmas
  4. Combater as lesmas sem veneno: quais as vantagens
  5. Tábuas como instrumento de observação no jardim
  6. Como combinar a armadilha de madeira com outras medidas
  7. Limites e riscos do método
  8. Exemplo prático: um plano para cada estação

Cada vez mais jardineiros amadores procuram proteger os canteiros das lesmas sem recorrer logo a produtos químicos. Uma solução surpreendentemente simples tem ganho popularidade: uma tábua de madeira comum, sem tratamento, poderá bastar para reduzir significativamente o número destes animais vorazes na horta, sem custos nem substâncias nocivas.

Porque é que a madeira atrai tanto as lesmas

As lesmas são animais sensíveis: não têm uma concha protetora e perdem água continuamente através da mucosa. Por isso, procuram locais escuros, húmidos e abrigados, junto ao solo. É precisamente essa preferência que o truque da tábua aproveita.

Um pedaço de madeira não tratada cria um pequeno microclima irresistível para as lesmas:

  • A madeira absorve a humidade do solo e do ar.
  • O espaço sob a tábua mantém-se fresco e à sombra durante mais tempo.
  • A superfície rugosa permite que os animais se agarrem facilmente.

Durante a noite, as lesmas percorrem os canteiros e roem as plântulas. Ao nascer do dia, procuram um esconderijo seguro. Se as tábuas forem colocadas antecipadamente, encontram ali o abrigo ideal, embora o jardineiro tenha outro objetivo em mente.

As lesmas juntam-se voluntariamente debaixo da tábua de madeira; ao jardineiro resta apenas recolhê-las.

Deste modo, o instinto natural de sobrevivência dos animais acaba por funcionar como uma armadilha.

Que madeira escolher e qual evitar

A escolha do material é determinante para o sucesso, pois nem todas as tábuas servem igualmente bem.

Materiais adequados

  • Tábuas de cofragem antigas de uma loja de bricolage
  • Tábuas de prateleira em abeto ou pinho sem tratamento
  • Restos de tábuas de soalho ou de ripas sem verniz
  • Sobras de painéis OSB rugosos, desde que não tenham revestimento

Materiais a evitar

  • Tábuas envernizadas ou com acabamento protetor
  • Painéis de mobiliário revestidos, como aglomerado brilhante
  • Placas com revestimento de plástico ou metal

A madeira tratada absorve pouca humidade, mantém-se seca no interior e oferece condições menos apelativas. Já a madeira não tratada tem poros abertos, retém água e cria o abrigo húmido pretendido.

Passo a passo: como usar a armadilha de madeira contra lesmas

A aplicação no canteiro é simples, mas alguns pormenores podem determinar o resultado.

  1. Escolher o local: colocar a tábua junto à borda do canteiro, ao lado de alfaces, feijoeiros, espinafres, couves ou ervas aromáticas jovens. Estas plantas são consideradas particularmente atrativas para as lesmas.
  2. Humidificar o solo: regar bem a zona onde a tábua ficará, para criar um espaço húmido especialmente apelativo.
  3. Colocar a tábua: pousá-la deitada sobre a terra, sem deixar uma abertura. Quanto maior for o contacto com o solo, melhor se conservará a humidade.
  4. Esperar pela noite: as lesmas deslocam-se durante a noite e, de manhã, procuram abrigo sob a tábua.
  5. Verificar de manhã: levantar a tábua cedo, antes de o sol estar alto, e recolher os animais.

Quem tem muitos canteiros ou já sofreu danos graves provocados por lesmas pode distribuir várias tábuas, formando uma espécie de cintura de armadilhas em redor das culturas mais apetecíveis.

Combater as lesmas sem veneno: quais as vantagens

Os granulados contra lesmas são criticados há vários anos. Os produtos com determinadas substâncias ativas podem afetar não só os animais visados, mas também ouriços-cacheiros, aves ou anfíbios que comam lesmas envenenadas. Mesmo os preparados considerados «biológicos» são frequentemente debatidos, porque, em grandes quantidades, podem desequilibrar o ecossistema.

A tábua de madeira funciona de forma inteiramente diferente:

  • Não deixa substâncias ativas no solo
  • Não representa perigo para crianças nem animais de estimação
  • Não deixa resíduos nos legumes
  • Tem um custo mínimo, sendo muitas vezes suficiente aproveitar restos de madeira

A armadilha de madeira não substitui um plano de proteção completo, mas constitui uma medida importante para cultivar sem venenos.

Cada jardineiro decide o que fazer com as lesmas recolhidas. Há quem as leve para longe, para um recanto de vegetação espontânea, e quem as dê a galinhas ou patos. O importante é não as deixar junto ao canteiro, pois podem regressar mais depressa do que seria desejável.

Tábuas como instrumento de observação no jardim

Além de ajudar a capturar lesmas, este método revela informações sobre o terreno. Ao distribuir várias tábuas, é possível identificar rapidamente os locais onde os animais se concentram.

Entre os padrões mais comuns encontram-se:

  • Muitos animais perto de sebes densas ou zonas de compostagem
  • Grandes concentrações em depressões onde a água se acumula
  • Infestações particularmente intensas em canteiros com cobertura espessa de matéria orgânica

Depois de identificar estes pontos críticos, pode melhorar-se a drenagem, reduzir temporariamente as camadas espessas de cobertura ou plantar espécies menos apreciadas pelas lesmas, como determinadas ervas aromáticas.

Como combinar a armadilha de madeira com outras medidas

Para reduzir os problemas com lesmas a longo prazo, importa olhar para o jardim como um todo, em vez de pensar apenas nas armadilhas. Há várias medidas que podem complementar-se.

Favorecer os inimigos naturais

Ouriços-cacheiros, sapos, patos-corredores, lagartos e algumas espécies de escaravelhos estão entre os aliados mais importantes. Estes animais precisam de esconderijos, pontos de água e de serem perturbados o menos possível. Montes de folhas, alinhamentos de pedras, pequenos reservatórios de água e canteiros sem venenos proporcionam-lhes abrigo. A recolha regular de lesmas durante a noite também lhes oferece uma espécie de banquete de fácil acesso.

Barreiras e escolhas de plantação

As lesmas evitam algumas superfícies porque estas lhes roçam no ventre e na mucosa. Para proteger culturas sensíveis, alguns jardineiros colocam à sua volta, por exemplo:

  • Brita grossa ou gravilha de arestas vivas
  • Grânulos de madeira ou de lã de ovelha
  • Anéis de metal ou vedações especiais contra lesmas

Também vale a pena analisar as plantas escolhidas. Algumas variedades ornamentais e hortícolas são menos atacadas. Alfaces mais resistentes, muitas ervas mediterrânicas ou plantas perenes de crescimento vigoroso podem aliviar a pressão sobre as culturas sensíveis, distribuindo a área exposta aos ataques no canteiro.

Limites e riscos do método

Por mais engenhoso que seja o truque da tábua, raramente resolve sozinho uma infestação grave. Em anos chuvosos ou em solos muito pesados, o número de lesmas pode exigir medidas adicionais. Se a recolha demorar demasiado, outros animais, como bichos-da-conta ou aranhas, também podem instalar-se debaixo da madeira. Não é grave, mas pode surpreender quem seja mais sensível.

Além disso, algumas espécies são pouco atraídas pelas tábuas ou já têm outros esconderijos preferidos, como erva alta, plantas rasteiras densas ou montes de pedras soltas. Nestes casos, confiar apenas na tábua significa deixar por resolver as verdadeiras causas do problema.

Exemplo prático: um plano para cada estação

Para integrar o método da melhor forma, pode seguir-se um plano geral ao longo do ano de jardinagem:

Período Medida com tábuas
Início da primavera Colocar as primeiras tábuas junto aos canteiros previstos para alfaces e feijoeiros e verificar a população de lesmas.
Época de plantação Pôr as armadilhas junto às plantas jovens acabadas de plantar e inspecioná-las diariamente.
Verão Deslocar as tábuas para locais húmidos e sombrios, onde as lesmas se abrigam.
Outono Reduzir a frequência das inspeções e usar as tábuas para identificar possíveis locais de invernada.

Com esta rotina, torna-se possível conhecer bem a população de lesmas do jardim. Os animais não desaparecem por completo, mas causam bastante menos danos, dando aos legumes melhores condições para crescerem e ficarem estaladiços.

Neste momento

Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário