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Starliner da Boeing parte para a ISS na primeira missão tripulada

Dois astronautas com fatos azuis dentro da cabine de pilotagem, com um foguetão a descolar ao fundo.

O dia do lançamento chegou finalmente: a cápsula Starliner da Boeing parte na segunda-feira rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), naquela que será a sua primeira missão tripulada - vários anos depois de a SpaceX ter alcançado o mesmo marco.

Este voo, o derradeiro ensaio antes de a Starliner entrar ao serviço regular da NASA, é decisivo para o gigante aeroespacial norte-americano. A reputação da empresa tem sido recentemente abalada por questões de segurança em alguns dos seus aviões de passageiros.

Encomendada pela agência espacial dos EUA há uma década, a Starliner teve um percurso atribulado até à meta, marcado por contratempos inesperados e sucessivos adiamentos - uma história que a Boeing quer encerrar.

Os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams deverão partir de Cabo Canaveral às 22:34 de segunda-feira (0234 GMT de terça-feira), a bordo da cápsula.

A Starliner será colocada em órbita por um foguetão Atlas V, fabricado pela United Launch Alliance, uma empresa comum da Boeing e da Lockheed Martin.

Wilmore e Williams, veteranos do programa espacial com formação na Marinha, já estiveram ambos duas vezes na ISS: viajaram uma vez num vaivém espacial e, posteriormente, numa nave russa Soyuz.

"Vai ser como voltar a casa", afirmou Williams.

Sobre a nave da Boeing, Wilmore declarou: "Tudo é novo. Tudo é único."

"Não creio que nenhum de nós tenha alguma vez imaginado que estaria associado ao primeiro voo de uma nave espacial completamente nova."

Para a NASA, os riscos também são elevados: dispor de uma segunda opção para voos espaciais tripulados, além das naves Dragon da SpaceX, é "realmente importante", afirmou Dana Weigel, responsável pelo programa da Estação Espacial Internacional da agência.

Segundo Weigel, essa flexibilidade poderá ajudar a NASA a lidar com situações de emergência, como problemas num determinado veículo espacial.

Contratempo após contratempo

A chegada da Starliner à ISS está prevista para cerca das 0500 GMT de quarta-feira, onde deverá permanecer pouco mais de uma semana. Serão realizados testes para confirmar o seu correcto funcionamento, antes de Williams e Wilmore voltarem a entrar na cápsula para regressarem a casa.

Uma missão bem-sucedida ajudaria a apagar o amargo sabor deixado pelos muitos contratempos do programa Starliner.

Em 2019, num primeiro voo de teste sem tripulação, a cápsula não foi colocada na trajectória correcta e regressou sem chegar à ISS.

Depois, em 2021, quando o foguetão já se encontrava na plataforma de lançamento para um novo voo, válvulas bloqueadas obrigaram a mais um adiamento.

A nave vazia acabou por alcançar a ISS em maio de 2022.

Desde então, a Boeing tem preparado o voo de teste tripulado, para que a cápsula possa ser certificada para utilização da NASA em missões regulares à ISS.

A empresa esperava realizar esse voo em 2022, mas continuaram a surgir problemas, nomeadamente no sistema de paraquedas usado para abrandar a nave durante o regresso à atmosfera terrestre.

"Houve várias situações que nos surpreenderam ao longo do caminho e que tivemos de ultrapassar", disse Mark Nappi, executivo da Boeing.

"Isso tornou certamente a equipa muito forte e muito orgulhosa da forma como superou todos os problemas que encontrámos", acrescentou.

"É bastante habitual que um veículo para voos espaciais tripulados demore cerca de 10 anos, desde a concepção até ao transporte de pessoas."

"Muito embaraçoso"

Jim Free, administrador associado da NASA, antecipou que a missão não decorrerá sem percalços.

"Temos certamente algumas incógnitas nesta missão, aspectos que esperamos aprender por se tratar de uma missão de teste. Podemos encontrar situações que não esperamos", disse Free, salientando que a Starliner é apenas a sexta classe de nave construída nos EUA para astronautas da NASA.

A cápsula Dragon da SpaceX entrou nesse grupo exclusivo em 2020, depois dos programas Mercury, Gemini, Apollo e do vaivém espacial.

Quando a Starliner estiver plenamente operacional, a NASA espera alternar entre as naves da SpaceX e da Boeing para transportar astronautas até à ISS.

Em 2014, a agência atribuiu contratos de preço fixo de US$4.2 mil milhões à Boeing e de US$2.6 mil milhões à SpaceX para desenvolver estas cápsulas.

"Toda a gente pensava que a Boeing chegaria primeiro", disse Erik Seedhouse, professor associado da Embry-Riddle Aeronautical University, à AFP.

"Por isso, o facto de a SpaceX ter chegado muito antes da Starliner foi muito embaraçoso para a Boeing."

Embora a ISS deva ser desactivada em 2030, tanto a Starliner como a Dragon poderão vir a transportar pessoas para futuras estações espaciais privadas, cuja construção está a ser planeada por várias empresas.

© Agence France-Presse

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

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