A Google anunciou na terça-feira que vai passar a apresentar respostas geradas por IA às pesquisas na Internet, numa das maiores transformações do seu motor de busca líder mundial em 25 anos.
"Estou entusiasmado por anunciar que vamos começar a disponibilizar esta experiência totalmente renovada, as 'visões gerais de IA', a todos nos EUA esta semana", declarou Sundar Pichai, diretor executivo da Google, num evento realizado na Califórnia.
Segundo acrescentou, a novidade será em breve alargada a outros países, ficando disponível para mais de mil milhões de pessoas.
Visões gerais de IA na Pesquisa Google
Os resultados da Pesquisa Google passarão a mostrar, no topo da página, um resumo produzido por IA antes da habitual lista de ligações.
Estes destaques, criados com a tecnologia Gemini da Google, apresentarão sínteses breves da informação encontrada na Internet, acompanhadas por ligações para as fontes online de onde os dados foram obtidos.
"Pode perguntar o que lhe vai na cabeça ou aquilo que precisa de fazer - desde pesquisar e planear até gerar ideias - e a Google trata do trabalho mais moroso", afirmou Liz Reid, responsável pela equipa de Pesquisa da Google.
A mudança surge numa altura em que a Google enfrenta pressão crescente de motores de pesquisa alimentados por IA, como o Perplexity, e perante os persistentes rumores de que a OpenAI, criadora do ChatGPT, está a desenvolver a sua própria ferramenta de pesquisa com IA.
Também já surgiram pesquisas através de conversas com IA no Facebook, Instagram e WhatsApp, permitindo aos utilizadores obter informação da Internet sem recorrerem à Google.
Alguns elogiam estas alternativas pela experiência mais limpa que proporcionam, em comparação com os resultados frequentemente sobrecarregados de uma pesquisa convencional.
Criadores de conteúdos e pequenos editores encaram a alteração com preocupação, receando que os utilizadores deixem de clicar nos sites para encontrar informação.
A empresa de investigação Gartner prevê que, até 2026, o tráfego para a Internet proveniente de motores de pesquisa diminua 25% devido à utilização de bots de IA.
A Google rejeitou a ideia de que interações com IA ao estilo do ChatGPT possam afetar o seu negócio, que depende quase inteiramente das receitas publicitárias geradas pelo motor de busca.
"Descobrimos que, com as Visões gerais de IA, as pessoas utilizam mais a Pesquisa e ficam mais satisfeitas com os resultados", disse Reid.
"Pode colocar de uma só vez as perguntas mais complexas, com todas as nuances e ressalvas que tem em mente."
A empresa afirmou que estas ferramentas de IA generativa estão a simplificar a vida dos utilizadores, quer procurem um estúdio de ioga aberto aos domingos, planeiem uma viagem ou preparem uma refeição com necessidades alimentares específicas.
De acordo com Reid, a empresa também começará em breve a testar a aplicação de IA a pesquisas que usam conteúdos de vídeo como origem da consulta.
Por exemplo, os utilizadores poderão pedir à Google para identificar uma avaria num eletrodoméstico, filmando-o com um smartphone, e receber sugestões para o reparar.
'Projeto Astra'
A Google apresentou ainda o Projeto Astra, dedicado ao desenvolvimento de assistentes digitais capazes de ajudar em tarefas pequenas ou complexas.
"Há muito tempo que queríamos criar um agente universal de IA que pudesse ser realmente útil no quotidiano", afirmou Demis Hassabis, diretor da Google DeepMind.
"É fácil imaginar um futuro em que poderá ter um assistente especializado ao seu lado através do telemóvel ou de novos e empolgantes formatos, como os óculos."
Segundo Hassabis, as capacidades dos agentes de IA chegarão ainda este ano a produtos da Google, como a aplicação Gemini ou o Assistant.
Corrida pelos assistentes digitais com IA
A Google está envolvida numa acesa corrida pela IA com concorrentes como a OpenAI, que na segunda-feira lançou uma versão GPT-4o do seu principal software.
O GPT-4o consegue criar conteúdos e compreender instruções por voz, texto ou imagens.
A atualização tecnológica da OpenAI revelou-se extremamente conversacional, sendo capaz de fazer piadas, escrever canções e ajudar um estudante com explicações de álgebra.
À semelhança da OpenAI, a Google mostrou demonstrações em que colaboradores pediam à sua IA para reconhecer o ambiente através da câmara de um smartphone e exibir outras competências próprias de um assistente.
Estas novas capacidades foram concebidas para serem "conversacionais, intuitivas e úteis", segundo Sissie Hsiao, diretora-geral das Experiências Gemini e do Google Assistant.
Transformar os assistentes digitais em aliados inteligentes é visto como a próxima frente de batalha da IA generativa. Segundo notícias dos meios de comunicação dos EUA, a Apple estará perto de um acordo com a OpenAI para usar as capacidades do ChatGPT no iPhone.
Esse entendimento poderá integrar os importantes anúncios sobre IA esperados da fabricante do iPhone num evento na Califórnia no próximo mês, enquanto a atenção se centra numa possível atualização da Siri, a assistente digital da Apple.
© Agence France-Presse






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