A Estação Espacial Internacional não existirá para sempre, e a NASA está a investir centenas de milhões de dólares nos seus possíveis sucessores.
Um dos candidatos mais promissores é a Orbital Reef, uma parceria entre a empresa espacial de Jeff Bezos, a Blue Origin, e a Sierra Space.
Na quarta-feira, a NASA anunciou que a Orbital Reef cumpriu quatro marcos importantes relativos a algumas das suas tecnologias mais essenciais, incluindo um sistema capaz de reciclar a urina de futuros astronautas e turistas.
"Estes marcos são fundamentais para garantir que um destino comercial consegue suportar vida humana", afirmou Angela Hart, gestora do Programa de Desenvolvimento Comercial em Órbita Terrestre Baixa da NASA, no anúncio da agência.
Os marcos incluíram a aprovação numa série de testes ao sistema regenerativo da Orbital Reef. Este sistema fornecerá ar e água limpos para as pessoas respirarem e beberem na estação espacial.
Segundo a NASA, alguns dos testes avaliaram a capacidade do sistema para eliminar impurezas do ar, recuperar urina para reciclagem e manter um reservatório de água.
A ISS dispõe de um sistema semelhante, que recicla água e oxigénio provenientes, como diz a NASA, de "actividades humanas normais" - ou seja, sobretudo respirar, transpirar e urinar. Sim, o sistema transforma urina em água potável.
"Antes de se arrepiarem com a ideia de beberem a água residual da lavagem e a urina residual, tenham em mente que a água que acabamos por obter é mais pura do que a maior parte da água que bebem diariamente em casa", disse o antigo comandante da ISS Chris Hadfield num vídeo de 2013.
Na realidade, os astronautas da ISS bebem há cerca de 15 anos a urina reciclada, cristalina, uns dos outros - e há uma boa razão para isso. Esta solução diminui a quantidade de água que a NASA teria de lançar para o espaço para manter os astronautas vivos, reduzindo assim os custos de lançamento e poupando dinheiro.
A futura estação espacial da Blue Origin
A NASA atribuiu à Blue Origin e à Sierra Space US$172 milhões, no âmbito do seu objectivo de desenvolver estações espaciais comerciais, lideradas pelos EUA, em órbita terrestre baixa, que possam substituir a ISS após a sua retirada.
Estes sucessores serão locais para onde a NASA poderá continuar a enviar astronautas, arrendando os seus próprios alojamentos e espaço de laboratório. No entanto, como as estações pertencerão a empresas comerciais, também poderão receber turistas espaciais.
"Imagine módulos espaçosos com grandes janelas para observar a Terra, a nossa origem azul, enquanto vive a emoção da ausência de peso com total conforto", afirma a Blue Origin no seu website.
Porque a NASA entrega as estações espaciais às empresas
A NASA está a passar a próxima geração de estações espaciais para empresas comerciais porque tem prioridades maiores que exigem financiamento. Neste momento, a manutenção do programa da ISS custa à NASA cerca de $3 mil milhões por ano.
"A agência está empenhada em continuar a trabalhar com a indústria, com o objectivo de ter uma ou mais estações em órbita para garantir concorrência, reduzir custos e satisfazer a procura da NASA e de outros clientes", declarou Hart num comunicado da NASA em Janeiro.
Sem a ISS, o orçamento libertado permitirá à NASA concentrar os seus esforços no estabelecimento de uma presença humana permanente na Lua, incluindo uma estação espacial em órbita lunar e uma base à superfície lunar, através das missões Artemis.
"No total, projectámos que os custos totais da Artemis atingirão $93 mil milhões entre 2012 e 2025", afirmou George Scott, inspector-geral interino da NASA, durante uma audiência governamental em Janeiro, acrescentando que este valor não incluía o custo dos lançamentos, que será de cerca de $4,2 mil milhões por lançamento nas primeiras quatro missões Artemis.
Mais tarde, a NASA espera direccionar o seu orçamento para enviar astronautas a Marte.
A ISS já está a caminho da saída
Não se trata apenas de dinheiro. A ISS também está a envelhecer. Surgiram fissuras num módulo russo, enquanto outra secção tem registado fugas de ar. Nos últimos anos, a estação também sofreu uma avaria nas instalações sanitárias, variações inexplicáveis de temperatura e uma falha no sistema de fornecimento de oxigénio.
A administração Biden comprometeu-se a manter a ISS em funcionamento pelo menos até 2030. Até essa data, a NASA pretende já ter efectuado a transição para, pelo menos, uma estação espacial privada. Se tudo correr como previsto, a ISS vazia e desactivada propulsionar-se-á para a atmosfera terrestre e arderá ao mergulhar em direcção ao oceano.
Quanto poderá custar viajar até à Orbital Reef
Por isso, ainda há tempo para juntar dinheiro e conseguir uma viagem até à Orbital Reef. Os preços dos bilhetes ainda não estão disponíveis. Como referência, uma viagem de apenas alguns minutos para roçar o limite do espaço no foguetão New Shepard da Blue Origin pode custar dezenas de milhões de dólares.
Este artigo foi originalmente publicado pela Business Insider.






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