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Tubarões-de-pontas-pretas conseguem ouvir sons até 74 metros de distância

Tubarão a nadar perto do fundo do mar claro com peixes coloridos e um dispositivo subaquático.
Neste artigo
  1. Tubarões-de-pontas-pretas ouvem sons a longa distância
  2. Como foi testada a audição dos tubarões
  3. Como os tubarões detetam sons

Conhecer a eficácia dos sentidos dos predadores subaquáticos ajuda a compreender melhor a ecologia e a biologia da vida marinha e permite também afastar-nos deles caso nos cruzemos com algum.

Até agora, a capacidade auditiva dos tubarões era, em grande parte, um mistério, sobretudo por ser difícil medi-la em condições controladas. A audição é, contudo, essencial, especialmente debaixo de água, para localizar presas, evitar predadores e encontrar potenciais parceiros.

Tubarões-de-pontas-pretas ouvem sons a longa distância

Num novo estudo publicado na Integrative Organismal Biology, investigadores da Universidade Atlântica da Flórida demonstraram que os tubarões-de-pontas-pretas (Carcharhinus limbatus) conseguem ouvir sons a uma distância de até 74 metros.

Essa distância ultrapassa largamente o limite do chamado campo acústico próximo, no qual o som afeta mais diretamente as partículas de água. A essa distância, trata-se de som em campo distante, onde a pressão provoca movimentos mais subtis das partículas.

«O que torna esta descoberta particularmente interessante é o facto de os tubarões reagirem a sons para além do campo acústico próximo, onde o som se comporta de forma diferente da que apresenta junto da fonte», afirma o zoólogo Stephen Kajiura.

«Isto sugere que detetam o movimento das partículas associado ao som mesmo a distâncias consideráveis da fonte, algo que não tínhamos conseguido demonstrar anteriormente em tubarões a nadar livremente.»

Como foi testada a audição dos tubarões

Para as experiências, a equipa recorreu a um drone e a um barco ao largo da costa sudeste da Flórida. Perto da embarcação, foram emitidos sons pulsados de baixa frequência, enquanto dois microfones subaquáticos mediam a sua propagação na água.

Um drone a voar 40 a 50 metros acima da zona registou os movimentos dos tubarões em relação aos sons. Foram usados três sons de teste com tonalidades diferentes e um som de controlo fora do alcance auditivo destes animais.

A escolha da espécie deveu-se, em parte, ao facto de se reunir regularmente todos os invernos num ponto específico da costa, em águas suficientemente pouco profundas e límpidas para que os drones registem a sua atividade.

«A sua abundância e acessibilidade permitiram-nos observá-los a partir de cima sem perturbar o seu comportamento natural, ao mesmo tempo que emitíamos sons subaquáticos controlados», diz Kajiura.

Tal como esperado, os tubarões ignoraram os sons de controlo, mas reagiram aos sons de teste entre 71,1% e 87% das vezes, consoante a frequência. A reação individual mais distante ocorreu a 74 metros e, das 165 respostas registadas, 118 tiveram origem no que seria considerado o campo distante.

Nas três frequências, os tubarões reagiram a sons emitidos a distâncias de até 62 metros. Em todas as respostas, fizeram também uma viragem brusca para longe da fonte sonora, o que sugere que sabiam de onde vinha o som.

Como os tubarões detetam sons

«O oceano é um ambiente acústico e os tubarões estão claramente sintonizados com ele de formas que só agora começamos a compreender», afirma Kajiura.

«A capacidade de detetar sons e reagir-lhes a dezenas de metros de distância dá a estes predadores uma importante fonte de informação sobre o ambiente que os rodeia. A próxima questão é perceber como o seu sistema sensorial lhes permite captar e interpretar estes sons distantes.»

Os tubarões não possuem a bexiga natatória cheia de gás que muitos peixes ósseos usam para ouvir, e que transforma a pressão em vibração. Por isso, terá de estar em causa outro mecanismo. Os investigadores sugerem que os C. limbatus detetam, de alguma forma, os movimentos das partículas de água.

Essa possibilidade poderá ser investigada em estudos futuros. Para já, os cientistas têm uma ideia muito mais clara das capacidades auditivas dos tubarões, observadas em ambiente real.

«Quando se tenta fazer experiências de audição num tanque, o som reflete-se nas paredes, criando sinais complexos e confusos; é como estar numa casa de espelhos», explica a bióloga Caroline Sullivan.

«É por isso que é tão importante fazer este tipo de experiências no oceano, com tubarões selvagens, para obter uma resposta natural.»

A investigação foi publicada na Integrative Organismal Biology.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

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