A SData AI, instalada em Famalicão há mais de um ano, oficializou esta terça-feira uma aliança estratégica com a Agibot, uma empresa chinesa sediada em Xangai, tornando-se distribuidora oficial de robôs humanoides em Portugal. Durante o encontro, realizado em Lisboa e que juntou empresários e especialistas tecnológicos, foram demonstradas a autonomia e as capacidades operacionais de diversos modelos de robôs.
Paulo Silva, membro da direção executiva da SData AI, apresentou aquela que classificou como uma nova vertente da inteligência artificial (IA) física. Sublinhou que a tecnologia não procura "substituir pessoas", mas antes libertá-las de trabalhos repetitivos.
Robôs humanoides da SData AI para a indústria
Na abertura da sessão, Paulo Silva contextualizou a entrada no mercado empresarial da mais recente geração de robótica humanoide. Segundo o responsável, estas máquinas "já conseguem fazer mais de 80% das tarefas que qualquer humano pode fazer", destacando ainda que "há já aplicações reais de embodied AI [inteligência artificial incorporada] na nossa indústria e hotelaria".
Questionado sobre os receios de uma redução das equipas industriais e da consequente eliminação de postos de trabalho, o responsável da SData AI afirmou: "não estamos a falar de substituir pessoas, mas de ter opções para que as pessoas deixem de fazer tarefas repetitivas. E pelo facto de haver falta de pessoas para certas funções". Na perspetiva do gestor, esta evolução pode "criar espaço, porque vão aparecer milhares de novas funções".
Em declarações aos jornalistas, Paulo Silva referiu existir uma "aceitação grande de clientes para incorporar a robótica humanoide onde a tradicional não é aplicável". Descreveu também a implementação como "fácil", pois "é o robô humanoide que se adapta à fábrica".
Embora reconheça que o caminho está aberto à utilização de "robôs caseiros", o empresário indicou que "o foco inicial é a indústria, que tem maior capacidade de absorção" desta tecnologia. Os preços dos robôs variam "entre os 26 mil e os 160 mil dólares", isto é, entre 23 mil e 143 mil euros, consoante se tratem dos modelos mais básicos ou dos mais avançados.
IA nos licenciamentos
No encerramento da sessão, o ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou que "a inteligência artificial capturou o debate público, desafia os nossos alicerces éticos e está a redefinir o horizonte do nosso futuro coletivo". Carlos Abreu Amorim realçou que, num "sentido de cautela em relação às novas dimensões do digital e da IA", a União Europeia e vários governos nacionais têm lançado sucessivos apelos para "esconjurar os múltiplos receios relativos à utilização" desta tecnologia.
"Queremos usar inteligência artificial para simplificar serviços públicos, e não apenas para mostrar capacidade tecnológica. Pretendemos aplicar inteligência artificial aos licenciamentos, uma das áreas onde empresas e cidadãos mais sentem a lentidão administrativa", afirmou o ministro. Como exemplo, apresentou o programa LicencIA, que "pretende criar uma plataforma integrada e transversal aos processos de licenciamento, com projetos-piloto em municípios selecionados até ao final de 2026".






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