A Starship, o foguetão mais potente do mundo, voou mais longe e mais depressa do que alguma vez tinha conseguido no seu terceiro lançamento de teste, realizado na quinta-feira. Ainda assim, acabou por se perder durante a reentrada na atmosfera sobre o oceano Índico, informou a SpaceX.
A descolagem da Starbase da empresa, em Boca Chica, no Texas, ocorreu às 8h25 locais (13h25 GMT) e foi transmitida em direto numa emissão na internet acompanhada por milhões de pessoas na plataforma de redes sociais X.
O elegante megafoguetão é essencial para os planos da NASA de levar astronautas à Lua no final desta década - e para a ambição de Elon Musk, diretor executivo da SpaceX, de um dia colonizar Marte.
“Parabéns à @SpaceX por um voo de teste bem-sucedido!”, escreveu no X o administrador da NASA, Bill Nelson, após a missão.
O teste de quinta-feira foi acompanhado com grande atenção, depois de duas tentativas anteriores terem terminado em explosões espetaculares. Para a empresa, estes desfechos fazem parte de um custo aceitável da sua abordagem rápida de tentativa e erro para acelerar o desenvolvimento.
Provavelmente destruída
Concebida para, no futuro, ser totalmente reutilizável, a Starship mede 397 pés (121 metros) quando as duas fases estão unidas - mais 90 pés do que a Estátua da Liberdade.
O propulsor Super Heavy gera 16,7 milhões de libras (74,3 meganewtons) de impulso, quase o dobro do produzido pelo segundo foguetão mais potente do mundo, o Space Launch System da NASA. No entanto, este último já está certificado, enquanto a Starship continua a ser um protótipo.
O terceiro teste de lançamento da Starship na sua configuração totalmente montada foi o mais ambicioso até agora, e a empresa afirmou ter cumprido muitos dos seus objetivos.
Entre eles estavam abrir e fechar a porta de carga da Starship, para testar a sua capacidade de colocar satélites em órbita, e realizar a primeira reentrada atmosférica.
Imagens em alta definição captadas por uma câmara a bordo mostraram a Starship a seguir pelo espaço, com a curvatura da Terra visível em segundo plano. A nave atingiu uma velocidade máxima superior a 26 000 quilómetros por hora (16 000 mph) e alcançou uma altitude superior a 200 quilómetros acima do nível do mar.
Reentrada sobre o oceano Índico
A Starship percorreu metade do globo antes de iniciar a descida sobre o oceano Índico. Os engenheiros celebraram enquanto o seu escudo térmico brilhava num vermelho incandescente.
Contudo, o controlo em terra deixou de receber sinais 49 minutos após o início do voo e declarou a nave “perdida” - provavelmente destruída - antes de conseguir realizar a amaragem forçada prevista.
O propulsor da fase inferior também não conseguiu aterrar com sucesso na água. Por esse motivo, a Administração Federal da Aviação dos Estados Unidos afirmou que iria abrir uma investigação sobre o “incidente”.
“A Starship tornará a vida multiplanetária”, publicou Musk no X mais tarde, sublinhando os progressos alcançados.
A forma de trabalhar da SpaceX
O primeiro teste dito “integrado” teve lugar em abril de 2023. A SpaceX foi obrigada a destruir a Starship poucos minutos após o lançamento, porque as duas fases não se separaram.
O foguetão desintegrou-se numa bola de fogo e caiu no golfo do México, lançando uma nuvem de poeira sobre uma localidade situada a vários quilómetros de distância.
O segundo ensaio, em novembro de 2023, correu ligeiramente melhor: o propulsor separou-se da nave espacial, mas ambos explodiram depois sobre o oceano, num episódio que a empresa designou eufemisticamente por uma “desmontagem rápida não programada”.
Segundo um relatório divulgado em janeiro pela empresa de investigação Payload, a construção de cada Starship custa atualmente à SpaceX cerca de 90 milhões de dólares.
A estratégia da SpaceX de testar em condições reais, em vez de o fazer em laboratórios, já deu resultados no passado.
Os seus foguetões Falcon 9 tornaram-se equipamentos fundamentais para a NASA e para o setor comercial; a cápsula Dragon transporta astronautas e carga para a Estação Espacial Internacional; e a constelação de satélites de internet Starlink cobre atualmente dezenas de países.
O calendário lunar da NASA
Mas o tempo está a contar para que a SpaceX esteja preparada para o regresso planeado pela NASA de astronautas à Lua em 2026, utilizando uma Starship modificada como veículo de alunagem.
A China aproxima-se no espelho retrovisor, apontando para 2030 como data para colocar a sua primeira tripulação no vizinho mais próximo da Terra.
A SpaceX não precisa apenas de demonstrar que consegue lançar, fazer voar e aterrar a Starship em segurança: terá também de provar, no futuro, que consegue enviar vários “navios-cisterna Starship” para a órbita a fim de reabastecer, a temperaturas super-refrigeradas, uma Starship principal destinada a prosseguir a viagem até à Lua.
© Agence France-Presse






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário