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O submarino autónomo ORCA da Marinha dos EUA percorre mais de 1.000 milhas náuticas no Pacífico

Dois militares analisam dados em portátil a bordo, com submarino à superfície e navio de guerra ao fundo no mar.
Neste artigo
  1. O ORCA alarga as capacidades submarinas não tripuladas
  2. O ORCA e a sua integração na frota
  3. Antecedentes dos testes do ORCA

Em julho, a Marinha dos EUA alcançou um novo marco: o submarino autónomo ORCA navegou mais de 1.000 milhas náuticas, ou 1.852 quilómetros, no Pacífico. O feito insere-se no desenvolvimento de capacidades submarinas não tripuladas destinadas a complementar as operações dos submarinos tripulados.

O ORCA alarga as capacidades submarinas não tripuladas

A navegação do ORCA representa um dos avanços recentes da Marinha dos EUA no domínio dos veículos submarinos não tripulados. O sistema integra os esforços da Força Submarina da Frota do Pacífico para incorporar plataformas autónomas nas suas operações.

O desenvolvimento do ORCA teve início na década de 2010, sob responsabilidade da Boeing, que aproveitou a experiência adquirida em anteriores programas de veículos submarinos autónomos. Em 2019, a Marinha dos EUA encomendou a construção do primeiro submarino autónomo extragrande ORCA por 43 milhões de dólares. A Boeing entregou a primeira unidade em dezembro de 2023.

Mais tarde, a Marinha dos EUA adquiriu seis veículos ORCA no âmbito do programa de Veículo Submarino Não Tripulado Extragrande (XLUUV). Cinco unidades são protótipos e a sexta destina-se ao treino, enquanto dois contratos atingiram um valor conjunto de 281 milhões de dólares.

O ORCA e a sua integração na frota

O novo marco foi divulgado durante uma visita do contra-almirante Chris Cavanaugh, comandante da Força Submarina da Frota do Pacífico, ao porta-aviões USS Theodore Roosevelt (CVN 71). O encontro decorreu a 30 de julho, após o fim da fase marítima do exercício Rim of the Pacific 2026 (RIMPAC 2026).

Na reunião, Cavanaugh e o contra-almirante Marcos Jasso analisaram a integração de veículos submarinos não tripulados (UUV) nos grupos de ataque de porta-aviões. Segundo a Marinha dos EUA, estes sistemas poderão funcionar como extensões táticas das unidades tripuladas.

“O ambiente operacional no Pacífico continua a evoluir com o rápido desenvolvimento de avanços tecnológicos no domínio submarino”, afirmou Cavanaugh. O responsável acrescentou que a Força Submarina do Pacífico está a investir em capacidades não tripuladas para complementar os seus submarinos tripulados.

Os responsáveis navais analisaram também possíveis utilizações logísticas dos UUV. Uma delas é o transporte de peças sobresselentes e componentes entre submarinos e porta-aviões, permitindo que as unidades submarinas permaneçam submersas e evitem regressar ao porto.

Antecedentes dos testes do ORCA

Em 2025, registaram-se igualmente progressos no desenvolvimento de capacidades para operar UUV a partir de submarinos. Nesse ano, o submarino de ataque da classe Virginia USS Delaware (SSN 791) efetuou o primeiro lançamento e recuperação de um UUV através de um tubo lança-torpedos durante uma missão operacional.

As operações decorreram perto da Noruega e permitiram completar três saídas táticas com o sistema Yellow Moray. A Marinha dos EUA realizou os lançamentos e as recuperações através de tubos lança-torpedos convencionais, sem recorrer ao apoio de mergulhadores.

O percurso de mais de 1.000 milhas náuticas, ou 1.852 quilómetros, realizado por um ORCA no Pacífico em julho de 2026 constitui mais um antecedente no desenvolvimento destes sistemas. A Força Submarina da Frota do Pacífico pretende utilizar estas plataformas para alargar as suas capacidades de dissuasão, guerra antissubmarina, guerra de superfície, informações, vigilância e reconhecimento.

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Inês Margarida Carvalho

Inês Margarida Carvalho é técnica superior de intervenção social, com experiência em desenvolvimento comunitário, envelhecimento ativo e apoio a famílias. Colabora com projetos ligados ao CSPSJ, dedicando-se à promoção da inclusão, do bem-estar social e da participação da comunidade.

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